Com gosto de amora.

Podia ser qualquer outra fruta, mas eu escolhi a amora.
Pra mim, só podia ser amora, porque é uma fruta doce, mesmo quando azeda.
Porque a amora pode ser de vários tipos: amora-branca, amora-preta, amora-vermelha, até amora-silvestre, mas todas são amoras! E você sabe só de olhar!
E ela é assim...
É doce em seus vários tipos de humor (mesmo quando está nos seus dias sem humor), ela tem cores, formas, ela embeleza os lugares por onde passa, ela deixa o cheiro no ar, ela é amor.
Só que é ela.
Ela é amora.
Amora boa mesmo é a de Julho, e foi exatamente quando nasceu a minha amora.
Ela veio canceriana com toda sua delicadeza e leveza.
Sua lágrima a embebeda de um sabor que até ela desconfia existir.
É linda até na sua dor... E como é linda essa minha amora!
Até a minha dor tem sabor desde que ela chegou.
O vento no rosto agora é dividido nos passeios de bicicleta, e naquele domingo chuvoso enquanto todos estavam embolados nas cobertas, ela estava ao meu lado no hospital, deixando cor na minha vida, segurando sua raiz junto da minha, acalmando meu peito agora com gosto...
Um gosto de amora que só ela tem. E eu... a tenho.

(Lara Gay)

Um comentário:

Bruna Meldau disse...

Estou emocionada até agora com esse presente lindo que ganhei de vc, amora. Seu texto é sensível, delicado e ao mesmo tempo certeiro. Te amo e posso te dizer que estou completamente honrada. Texto mais lindo jamais poderia ser escrito por outro alguém..

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